segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A Responsabilidade de Ser Feliz

Todo mundo já dedicou algum momento de felicidade na sua vida, à outra pessoa! Isto é normal, bastante comum, e geralmente ocorre porque somos ainda herdeiros de um romantismo platônico, em que a mulher idealiza o homem como sendo um sujeito que, ou mocinho ou bandido, ela é o centro gravitacional da vida dele, e poderá receber “o prêmio por bom comportamento” e finalmente ele concede a ela a sua felicidade! 

Os homens, por outro lado, não pensem que estão de fora deste modelo social. O homem também tem o seu papel a cumprir como o "louco apaixonado"... seja a paixão dele duradoura ou não! Mas ele também vive a idealização de que um dia irá encontrar uma mulher que poderá ter a honra de tornar-se sua esposa e dará à sociedade belos filhos! Sim! Dará à sociedade belos filhos! Ora, não tentem me fazer acreditar que vocês realmente pensavam que os filhos que os casais tem são, na verdade, para os próprios pais! Já diziam os mais antigos: "Os filhos são criados para o mundo!" E assim é desde sempre. 

Portanto, por mais que queiram os pais, a felicidade (bem como a vida) é de responsabilidade dos próprios filhos e filhas! Vale lembrar que o contrário também é verdade! Aos pais também lhes cabe a responsabilidade por sua própria felicidade (individual ou como casal).

Então pensemos... Se sequer nossos pais são os responsáveis pela nossa felicidade (e aí incluem os diversos sentidos e direções do que é ser e estar feliz), por que então nos vemos frequentemente entregando esta responsabilidade nas mãos de outras pessoas? Só por romantismo?

Eu absolveria o romantismo neste julgamento. Nós nos entregamos por sermos tolos, egoístas, medrosos... Sim, medrosos! Temos medo de não conseguirmos nos deixar em estado de felicidade (dispensando psicotrópicos), nos sentimos incapazes, e por isto entregamos nas mãos de outra pessoa essa incumbência, que deveria ser só nossa! Deveria não, É Responsabilidade Só Nossa!

A felicidade, ela deve ser somada. Eu feliz, somo a minha felicidade à do outro, que também está feliz por si só. Assim que deve ser! Ela nunca deve ser baseada, apoiada no outro. No que o outro faz ou não para nos sentirmos felizes!


Pense um pouco. Tome para si a responsabilidade de ser feliz... E seja!

Flávio Augusto Albuquerque


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Fácil

Fácil fugir. 
Difícil é escapar.

Fácil amar. 
Difícil é sentir.

Fácil falar. 
Difícil é fazer.

Fácil querer. 
Difícil é conquistar.

Fácil julgar. 
Difícil é compreender.

Fácil ouvir. 
Difícil é escutar.

Fácil ouvir elogios. 
Difícil é que sejam sinceros.

Fácil conhecer pessoas. 
Difícil mesmo é ter amigos.

Fácil apontar. 
Difícil é olhar para si.

Fácil sorrir. 
Difícil é estar feliz...




Flávio Augusto Albuquerque

domingo, 15 de dezembro de 2013

Pedido...

São momentos que não esperamos hoje, 

Ontem, amanhã?


Coisas que não vemos, não pensamos...


Outrora essa ideia nem existia, mas agora...


Rondando minha mente, escondendo-se pelos espaços.


Rodeia o ar, parece impregnar-se!


Ouvir esse quase desejo íntimo, seria loucura, seria errado?




Flávio Augusto Albuquerque Silva

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nem sempre...

Nem sempre o pôr-do-sol é mágico.

Nem sempre as nuvens são feitas de algodão.

Nem sempre o céu é estrelado.

Nem sempre a noite é bela.

Nem sempre a chuva tem cheiro bom,

Nem sempre o som da sua queda é bom pra dormir.

Nem sempre dormir é gostoso.

Nem sempre sorrir para tudo e para todos faz bem.

Nem sempre chorar é tristeza.

Nem sempre tristeza é introspecção.

Nem sempre “eu te amo” é de verdade.

Nem sempre coisas e pessoas são o que parecem ser.

Nem sempre calar é consentir.

Nem sempre versos têm que rimar.

Nem sempre o palhaço tem que sorrir.

Nem sempre eu tenho que te alegrar.

Nem sempre o final é feliz.

Nem sempre!


Flávio Augusto Albuquerque

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Voando em busca do sonho americano...



E lá se foi em sua primeira viagem para fora do país, o jovem de apenas 19 anos de idade. Nesta fase da vida tudo é uma aventura! Os passeios, conhecer novos lugares, novas pessoas, novos amores...
Sua vida no Brasil não era fácil, mas com a ajuda de parentes próximos e amigos da família conseguiu guardar certa quantia em dinheiro e tirou seu passaporte. Com seu visto liberado, passagem comprada e malas prontas, seguiu seu caminho, deixando para trás seus pais e irmãs, que torciam para que tudo desse certo em seus planos e conseguisse conquistar o tão disputado “sonho americano”. Era sua chance de ganhar o mundo e proporcionar uma vida melhor para seus familiares, que também contavam com isso!
Passada a primeira etapa e chegando ao novo país, a próxima barreira a vencer era a da língua! Com inglês básico e algum jogo de cintura, conseguiu driblar as dificuldades do choque cultural e chegou ao lugar onde seria sua residência por meses a partir dali!
Como quase todo imigrante, começou a trabalhar em restaurantes fazendo serviços de ajudante de garçom. Não era o ideal, mas era o que tinha. Era isso ou passar fome (situação da qual não ficou livre de experimentar mais adiante em sua jornada). Com o baixo movimento de turistas no restaurante, devido à temporada de furacões naquele Estado, viu-se obrigado a mudar de trabalho, de casa, de cidade... Ali onde estava já não era suficiente para seu sustento básico. Seguiu país adentro para então arriscar novo labor. Este prometia! Não parava nunca, fizesse chuva, fizesse sol... lá ele teria trabalho o tempo todo!
Porém, tal situação, que parecia bastante cômoda até, revelou-se uma armadilha. Recém-formado nas Ciências Técnicas da Administração, e com proficiência em Contabilidade e Administração Financeira, percebeu um “erro” na contabilidade do salário que a ele era devido. Logicamente contestou tal falta, e como resposta obteve um sonoro “Você está despedido!”. Era sua primeira derrota naquele país onde sonhara tantas e tantas vezes realizar seus desejos, dos mais básicos aos mais extravagantes. Foi a primeira vez que saboreou o gosto amargo da vida adulta. Não que tivesse nascido em berço de plumas, mas nunca havia recebido de frente tal impacto antes. E o pior: ele estava certo! Estava sendo usurpado em seu salário, e cobrara apenas aquilo que era correto. Não era justo! Mas a vida é justa? Contudo, não se deixou abater por isso, ele não podia ter esse “luxo”! Juntou seus poucos dólares restantes e seguiu para buscar outros estados, outros lugares onde poderia seguir com seu planejamento de vida!
Instalado agora no extremo Norte da América, num apartamento localizado acima de uma boate de Strip-tease recomeçou sua luta. Foi ali que aprendeu mais uma lição dura da vida. Sem mais reservas financeiras, precisou da solidariedade de outros para conseguir comida. Dormia cedo e acordava tarde, para que fizesse somente uma "refeição" por dia (um copo de leite com cereal de arroz). Buscou e tentou desenvolver várias atividades, nas mais diversas áreas: desde padaria, até ajudante de encanador! Mais uma vez não logrou êxito em sua busca. Nesse período do ano já estava na alta da temporada de inverno, e o país volta-se principalmente para o Natal... “zerando” praticamente todas as outras oportunidades de trabalho. Diante mais uma vez do fracasso em seu planejamento, que a essa altura já fugira e muito do prumo inicial, precisou mais uma vez fazer as malas e levantar acampamento. Desta vez para o Sul, onde não sofreria tanto com a influência da temperatura e do período festivo para impedir que encontrasse algum meio de sustentar-se. Seu sonho ainda não tinha acabado.
Agora acolhido em uma das cidades com maior influencia latino-americana daquele país, viu novamente acender a chama da sua busca. O cheiro do mar e o calor do sol novamente em sua pele fez reaquecer seus desejos. Poderia reposicionar seu planejamento e dar continuidade àquilo que almejara antes de viajar. Estava mais uma vez entusiasmado! Organizou-se, iniciou um curso de aperfeiçoamento na língua estrangeira e buscou novamente seu lugar ao sol.
Porém, nem tudo seguiu como planejado. O jovem adulto (agora longe de ser aquele sonhador recém-saído da adolescência) encontrou mais uma vez diante de si uma dificuldade a vencer. Seu visto estava preste a vencer, e ele ainda não conseguira sequer um terço do que havia planejado. Nada de renda boa, nada de estabilidade, nada de visto permanente... Seu sonho passou a tornar-se um maldito pesadelo. Encurralado, precisou aprender mais uma lição. Teve que recuar em sua caminhada, para mirar com maior impulso e precisão na próxima investida. Desolado, retornou ao seu país de origem. Voltou para os braços da família.
Mas sua vida não continuou de onde havia parado, como imaginou, pelo fato de ter que retornar ao seu país. O que ele não percebera é que sua experiência lá fora, aparentemente amarga e cheia de sofrimentos, havia feito com que ele amadurecesse lá o tanto que ele nunca amadureceria no curto espaço de um único ano no Brasil. Saiu um jovem sonhador, retornou homem maduro e experiente. Aprendeu duras lições. Cresceu como pessoa. Conheceu a vida como ela é! E continua fazendo novos vôos, descobrindo novos sonhos e perspectivas, mesmo que nem sempre as mais belas!


Flávio Augusto Albuquerque

*Texto concorrente no Festival Cultural Banco do Brasil (adaptado)

sábado, 23 de novembro de 2013

Brasil


Olha ali... Eu vi!
Vi a criança no sinal,
O velho e o novo, embaixo da ponte,
Ponte de onde, até onde?
Até quando?
Eu vi!

Olha lá... Eu vejo!
Vejo ricos menos ricos,
Pobres menos pobres,
Sorrisos mais felizes!
Caminhos a seguir.
É sonho? Acorde!
Eu vejo!

Olha só... Vejamos!
Vejamos os problemas do próximo,
O umbigo dos distantes,
A solidariedade em nós,
A felicidade para compartir,
Dividir, conquistar, vencer!
Vejamos!

Olha aqui... Veja o passado,
Sonhe o futuro!
Que futuro?
Mude o presente, ausente!
Abra seus olhos, olhe de lado!
Pense...
Olha aqui!

Venha cá! “Se aprochegue”,
Respire o ar ao seu redor.
Você não é só bunda,
Você não é só cor,
Você não é pão, nem circo...
Cadê a educação? Seja inteligente!
Venha cá!

Olha a seca, olha a fome,
Sinta a miséria, veja a pobreza!
Mude o tom, afine a canção,
Espie de lado, cadê o pão?
O "rato roeu"?
Cadê o gato? Agora é você...
É a sua vez!

Olhe, pense, sinta, seja...
Ande para frente!
Mude...!

Flávio Augusto Albuquerque




“... Meu Brasil brasileiro...”

Fome, miséria, seca, saúde e educação precárias, são alguns dos problemas existentes desde o Império que continuam em voga até os dias atuais, e estão um tanto longe de serem resolvidos. A falta de consciência, solidariedade e amor ao próximo, aliados à bandidagem na política e o respeito à “esperteza” só contribuem para o empobrecimento geral, em todos os aspectos.

No Brasil, e em seus diferentes “brasis”, a impunidade e a corrupção alimentam a fome voraz desses monstros sociais. Pensar no hoje, pensar em si, não olhar para o próximo com olhar de amor e solidariedade mantém a atual estagnação em que vivemos. Algo mudou? Sim. Índices apontam que a inflação diminuiu (ops...voltou a aumentar!), a dívida externa zerou, classes sociais novas e letras foram acrescidas e criadas etc., porém a política do “pão e circo” continua vigente, quase como uma “cláusula pétrea” na nossa sociedade, mudando o nome do “pão”, do “circo”, mas sempre mantendo os cidadãos como os verdadeiros palhaços deste grande e triste espetáculo.

Num país extremamente rico em belezas naturais, em minério, petróleo, e culturas mil, vive-se em função praticamente de samba, carnaval, futebol e escândalos. Sim, escândalos! Para um povo que não lembra sequer em quem votou nas últimas eleições, um modo fácil e prático de “abafar” um escândalo é criar outro escândalo! Assim é o nosso “Brasil brasileiro”.

Um dos caminhos mais sólidos para a real mudança do atual quadro é algo de certo modo até simples de fazer, porém pouco interessante para quem está no poder: A educação! Ora, uma sociedade sem educação, ou pouco escolarizada, e sem cultura de ter conhecimento (por que não falar alienada?) torna-se muito mais fácil de ser manipulada e levada pela “maré”.


Um povo “que não pensa” e tem memória curta torna-se vulnerável às armadilhas e aos ataques nem sempre silenciosos dos governantes! A educação e a cultura estão associadas ao sentido da vida da população em geral! A educação direciona o povo ao rumo para conquistar a sua evolução e realização. A cultura irá contribuir para moldar, melhorar e aprimorar seus valores e atitudes em prol daquilo que será o objetivo da sua vida e do bem maior: a melhoria do país como um todo! Com investimento em educação, cultura, e a consequente elevação moral e a politização, poderemos deixar para as gerações vindouras um país melhor, mais culto e mais organizado do que o que temos hoje como nossa realidade!

Flávio Augusto Albuquerque

Texto premiado no Concurso Cultural ECOA CSL BH 2013







quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Sou negro

Eu sou negro.
Sou negro do cabelo "ruim",
Porque bom é assim!
Liso, encaracolado ou "tuim".
Meu cabelo é bom, isso sim!

Eu sou negro.
Negro amarelado,
Negro bronzeado,
Negro azulado.
É, negro em todo lado!

Eu sou negro.
Negro do olho preto,
azul, verde, ou caramelo.
Eu sou negro,
Nem por isso menos belo.

Eu sou negro.
Nem moreno, nem escuro. Negro!
Mulato, cafuzo, quilombola...
Chame como quiser.
Sou negro, até na bitola!

Eu sou negro.
Negro branco,
Negro loirinho,
Negro nórdico,
Negro pretinho.
Negro "porrote",
Negro afilado,
Ainda negro.

Eu sou negro.
Negro com sangue vermelho.
Negro. Nem melhor, nem pior.
Sou tão..., somente negro.

Eu sou negro.
Negro sim!
Negro bom!
Negro quente!
Negro do evangelho e do orixá.

Eu sou negro.
Sou negro e sei pensar.
Sou negro, e não escravo da cor, de verdade.
Sou negro, com orgulho, não com piedade.

Eu sou negro.
Eu e você!



20 de novembro - Dia da Consciência Negra


Flávio Albuquerque

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Eu gosto é do estalido!

Eu gosto é do estalido!
O estalido do beijo apaixonado,
O beijo cedido ou roubado,
Bem debaixo dos lençóis ou em cima deles,
A posição não importa quando os corpos estão enlaçados,
Envoltos de suor e prazer.
Puro sabor!

Eu gosto é do estalido!
O estalido da brasa do cigarro,
Que queima no cinzeiro,
Enquanto descansas sobre meu peito,
Intercalando a respiração entre beijos,
Beijos estalados.
Puro calor!

Eu gosto é do estalido!
O estalido dos dedos que me chamam,
Com pressa de me ver chegar,
Com pressa de me ter pra si,
Com pressa de me ter.
Puro amor!

Eu gosto é do estalido!
O estalido das línguas que se enroscam,
Dos corpos que se pegam,
Dos abraços que se esquentam,
Do amor que desliza e atrita.
Puro tremor!

Eu gosto é do estalido!
O estalido da cama,
A cama brava, que sustenta nossos corpos,
Corpos novamente lavados, suados,
Embebidos em sabor, em calor, em amor, em tremor!


Eu gosto é do estalido!
...


Flávio Augusto Albuquerque

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O dia em que a cigana leu minha mão

Com dentes de ouro e buço aparente,
Agarrou minha mão e puxou-me para um canto.
Sua saia longa tocava o chão. O falar era rápido, quase não se fazia entender.
Com jeito convincente olhava a minha palma e dizia decifrar os meus longos anos à frente.

Através das rugas e linhas da minha mão resistente, passavam seus dedos enrugados. Falava como se enxergasse o mistério além dali.
De nada adiantou minha relutância em "entregar a sorte ao oráculo". Sua firmeza e convicção em ater-me sob suas garras era segura.

Disse-me coisas que, com certeza, nenhum deus duvidaria, tão óbvias eram. Por mais que floreadas e ritmadas fossem suas palavras, seu objetivo era ardiloso: fazer de mim mais um tolo dislumbrado com o agradável futuro.

Pois bem, iniciou sua cantoria a velha cigana, esperta como tantas dizendo o óbvio em tom de suspense.
Disse que em minha vida teria uma morena e uma loira, e saltou ansiosa para a pergunta, querendo saber se estava indo pelo caminho certo: "Já tens uma dessas?". Ora, qual o quê: grande descoberta fez! Ao considerar que as ruivas, apesar de não menos belas, estão em bem menor proporção do que as loiras e morenas, suas chances de acerto seriam assim rudimente maiores!

Seguiu adiante, "revelando-me" a minha natureza trabalhadora. Garoto esforçado, porém não era prendado de sorte no labor! Ora, mais uma vez aqui deixa clara sua arte, pois quem hoje em dia não se considera um trabalhador injustiçado pela política e pela exploração do mercado e da economia em que vive o país? Grande adivinha!
E mais: completou que via em minha vida "grande vitória, e que a felicidade seria alcançada...", mas que "e-vidente"! Qual ser humano, por mais infeliz que acredite ser, não espera ouvir de quem quer que seja, que seu futuro reserva-lhe "A felicidade"? Este é ou não é, senão, o "Princípio básico da esperança"?!

E, para finalizar com chave de ouro, ouro de tolo, disse-me que eu era um rapaz que não tinha sorte nas amizades, que sofreu muito, mas que era protegido por uma "luz muito bonita" e que seria muito feliz na vida, e que tudo isso não demoraria a acontecer...!
E que, é claro, um agrado à sua "quiromancia clarividente" seria muito bem vinda!

Ou seja: com as palavras certas para o otário perfeito, toda desgraça vira sorte nas mãos de quem sabe manipulá-la!

Pobre cigana... desta vez erraste o alvo!


Flávio Albuquerque

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pedido de desculpas...

Desculpa: Substantivo feminino. Trissílabo. Paroxítona. Vocábulo usado na ideia de "assumir a culpa" de algo feito ou dito, com a intenção de DESfazer a "merda"... Dai então o sentido de DES-culpa.

Desculpa...
Eita palavrinha complicada de falar. Vem acompanhada de um grupo de sensações: vergonha, arrependimento, medo, sentimento de burrice e incapacidade. Sim, incapacidade. Mas não a incapacidade no sentido de ser débil e não poder fazer algo certo, e sim a incapacidade de justamente poder fazer a coisa certa e não ter feito! Portanto fraqueza, burrice, tolice. Sim. Fui tolo. Fui incapaz de antever o erro e o fiz.

Em minha defesa alego insanidade temporária, demência, idiotice, até mesmo anencefalia, mas nada disso é capaz de fazer voltar o tempo ou trazer de volta as palavras que como flecha foram lançadas. A mim só resta a redenção... rendo-me ao suplício e à esperança de haver em ti espaço para que me concedas a graça da sua compreensão e que acredite no meu humilde pedido...

Desculpa.


Flávio Augusto Albuquerque

terça-feira, 25 de junho de 2013

Caminhos opostos: O que restou.


Quando nos envolvemos com alguém, as pupilas dilatam-se, os olhos brilham, a respiração fica ofegante, o coração acelera. Surgem borboletas no estômago. Isso é a magia da paixão, que pode vir a tornar-se amor, com o passar do tempo. 

É algo que estamos fadados a experimentar. Foi assim comigo, será assim com você -se já não foi-, e é assim que acontece com todos nós, independente de cor, idade, sexo,status social... Desta música ninguém escapa à cantoria.

Algo que às vezes preenche todos os requisitos de que vai durar para sempre, que tudo será perfeito, todas as brigas são lindas e os ciúmes são formas de demonstrar amor e que termina em reconciliação, que ferve o coração dos enamorados...

Mas aí vêm as diferenças, a rotina, o brilho fica fosco, a grama do curral ao lado parece mais verde, os ciúmes passam a ser possessividades, desconfianças... desconfianças que antes não tinham sentido hoje têm nome, endereço, telefone e até jantar esquecido  no final daquela noite especial.

Carinhos, afagos, chamegos, presentes... tornam-se brigas sérias, utensílios atirados em ambos os lados, às vezes com o testemunho embaçado das lágrimas que escorrem... palavras ateadas como flechas, que não voltam mais. A respiração antes ofegante de paixão e o coração acelerado, hoje são sinais de ira, dor e sofrimento, decepção. É sinal do fim.

E o que resta no final da história: Apenas caminhos opostos. Cada um para um lado. Na mala, lembranças, prazeres, mágoas, felicidades e tristezas. Ao longe apenas um choro tímido, engolido à força, e um pensamento recorrente na mente confusa que só consegue dizer: "E agora?"


Flávio Augusto Albuquerque

domingo, 21 de abril de 2013

Dia de Tiradentes


Dia 21 de abril - Dia de Tiradentes... Diz a história que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi levado à morte há exatos 221 anos atrás por causa da delação, feita por Joaquim Silvério dos Reis e Inácio Correia de Pamplona, do Movimento em protesto contra a cobrança da chamada "Derrama", imposto abusivo que cobrava dos residentes das Minas Gerais cem arrobas de ouro semestralmente para suprir o déficit causado pelo declínio na economia da exploração aurífera! Reza a história oficial que Tiradentes foi morto por enforcamento e depois teve seu corpo esquartejado e distribuídas as suas partes pelas cidades onde ele havia discursado.

Imaginemos o que faria O Tiradentes no Brasil atual, onde a lei e a justiça são vendidas e corrompidas, e aqueles que deveriam estar sofrendo o rigor da lei são os que assinam suas próprias cartas de alforria, ou pior: decretam a escravidão de um povo feito ignorantes e com ignorantes (está na base da Educação que há muito tempo é negligenciada a chave para um amanhã melhor)? Será que realmente alcançamos a Independência, e a Democracia, ou será que atualmente temos um sistema aperfeiçoado daquilo que havia na época da opressiva Realeza dos tempos dos séculos XVI, XVII, XVIII, XIX... Estamos vivendo hoje uma terrível política do Pão e Circo, onde os bobos da Corte somos todos nós, cidadãos brasileiros, que não seguimos os exemplos históricos e formamos verdadeiras revoluções sociais. Mudar é preciso! Melhorar é primordial! Acorde Povo Brasileiro! O Poder está em nossas mãos! Juiz corrupto? FORA! Policial bandido? FORA! Presidente de Câmara dos Direitos Humanos Estelionatário Homofóbico e Preconceituoso? FORA! Político ladrão? FORA! Imposição de Doutrinas Religiosas no Governo de um Estado que é LAICO? FORA! Não podemos permitir que nosso Direito seja morto e esquartejado como foi Tiradentes, e lembrem-se que, no final, o pescoço a ser enforcado será o seu, Povo Brasileiro!


 Flávio Augusto Albuquerque

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O possível e o impossível está dentro de nós!


Existe uma parábola que diz...

Dois garotos estavam brincando no gelo,e o gelo rachou e um dos meninos afundou. 
Diante do perigo iminente de perder o irmão, o garoto tentou quebrar o gelo na direção da correnteza para tirar seu irmão lá de dentro. 
Todos que passavam na hora e viram a comoção do garoto tentaram ajudar, mas antes de mesmo tentar, já lamentavam-se da perda do menino, que ainda tinha chances de ser salvo, mas a cada minuto que passava essas chances diminuíam... 

De repente passa por ali um menino franzino, que mal se sustentava em pé de tão finas as pernas. Além disso parecia subnutrido devido a escassez de recursos em que vivia sua família. Para piorar sua situação, ele era surdo-mudo! Mas era um bom garoto. Educado. Todos na cidade o conheciam... 
Ao ver as pessoas reunidas no rio congelado, por ser surdo, não sabia o que tinha acontecido... Apenas que alguém precisava de ajuda. 

Decidiu então caminhar até o local onde todos já tinham tentado quebrar o gelo,e mesmo com todo o protesto do povo que assistia e temia agora que não apenas uma, mas duas crianças morressem no rio congelado, ele foi até lá, quebrou o gelo e resgatou o menino que, apesar da hipotermia, estava milagrosamente ainda vivo. 

Todos que viram a cena não acreditaram... Como pode um garotinho raquítico, franzino, subnutrido, quebrar aquele gelo que vários homens já tinham tentado e não conseguiram?! 

E nesta hora, um velhinho que assistia a todo o acontecido de longe, disse entre baforadas de cachimbo... "...o que fez com que o menino quebrasse o gelo foi a força interior dele! Como ele era surdo, não pôde ouvir os gritos de protesto e de palavras negativas daqueles que diziam que ele não conseguiria, e assim não envenenou-se com o pensamento dos outros sobre ele. Enquanto que as outras pessoas, por mais bem intencionadas que estivessem, começavam a tentativa de resgate com o pensamento dos perdedores, de que não conseguiriam, e isso fez com que realmente eles não conseguissem!"... 

Então, moral da historia: Nunca brinque num lago ou rio congelado... E se você brincar, e cair... Ouça sua força interior e saiba que você consegue! Seja sempre surdo para aqueles que disserem que você não consegue!


Flávio Augusto Albuquerque