sábado, 31 de outubro de 2009

Palhaços também choram *


Retirou da face a pálida tinta.
Peruca colorida jogada de lado;
nariz vermelho ao centro de sua
Cabeceira pequena de carvalho,
juntamente com as sobrancelhas falsas,
bigodes e costeletas, de sua brincadeira.

Suas roupas com bolinhas coloridas
e de exagerado tamanho maior que o seu,
cuidadosamente guardadas
no baú de fechaduras enferrujadas e trincadas.

Sapatos de tamanho 58
e pontas arredondadas nos bicos,
de diversas cores, que combinam cada um
com uma determinada e específica
roupa azul, vermelha, amarela ou laranja
todos pendurados nos cabides.
Ao lado, os chapéus divertidos,
que completam a sua vida, sua fantasia.

Agora olha o palhaço para o espelho,
vendo as marcas da vida no seu rosto,
enxergando em cada marca e em cada sulco,
uma realidade triste e difícil de encarar.
Encontra-se diante da realidade e reza
para que logo volte a hora de fugir;
Fugir para sua fantasia sempre alegre e sorridente.

O palhaço triste usa agora
seu lenço mágico, tentando...
tentando sem sucesso enxugar as lágrimas;
Lágrimas tristes de sua vida real,
encarando e reconhecendo
que sua vida não é nada
senão uma grande palhaçada...


(Flávio Augusto)
*Poesia selecionada e publicada no Livro da 16a. Edição do Banco de Talentos da FEBRABAN. Publicação do Livro em 09-11-09, no CITIBANK HALL SP.

2 comentários:

Anônimo disse...

Show de boa o texto brother.

eu_emtu disse...

muito bom brother.
continuem abrilhantando a net com seus escritos.